COMÉDIA: poder e perigos
Como em tudo na vida, as coisas têm um lado bom e um lado mau. E a comédia não é exceção. Nesta vertente existem os dois lados da moeda: o poder que possui nos outros (nem que seja, simplesmente, arrancar um pequeno sorriso a alguém num dia mais cinzento), e o perigo que pode representar aos olhos daqueles que interpretam de forma diferente algumas "piadas". Assim sendo, o Guilherme Carneiro - comediante e membro do PLAY5 - foi convidado a partilhar a sua perspetiva relativamente a este assunto, tendo escrito o seguinte texto:
Guilherme Carneiro durante um espetáculo de comédia
Mais uma vez pediram-me que desse a minha opinião sobre a comédia (podia estar a discutir o Brexit, a crise venezuelana, o vírus chinês... mas pronto, cá estamos!). Desta vez eu deveria falar sobre o poder e o perigo da comédia.
A comédia tem um grande poder no entretenimento das pessoas. Afinal, é este o seu propósito: entreter de uma forma positiva. No entanto, devido ao tipo de comédia, ao comediante, ao público, etc... nem sempre é seguro fazer comédia, deixando de ser um entretenimento positivo para se transformar num perigo iminente, uma bomba relógio prestes a rebentar na sociedade atual. Não posso fazer juízos de valor sobre a situação atual da nossa sociedade relativamente ao passado, pois não vivi noutros tempos. Não sei se a sociedade do séc. XX aceitava de bom grado qualquer tipo de piada. Mas sei uma coisa: sei que a nossa sociedade se está a tornar cada vez mais intolerante a certos tipos de comédia, o que dificulta bastante a evolução do entretenimento. Custa-me dizer isto, mas é verdade: Portugal nunca soube aproveitar os seus talentos, nunca demos valor a quem merecia. "Este aqui não percebe nada disto! Há cada modernice agora!", mas quando esses talentos desaparecem sentimos falta, "Agora na televisão é só americanices!".
Pessoalmente, acho que não há limites para a comédia. Acho que devemos aprender a rir de tudo, desde que não seja feito nenhum ataque a ninguém em concreto, pois esse é um dos perigos da "comédia": quando deixa de ser comédia, transformando-se apenas num ataque a alguém que nenhum significado tem para o público que assiste ou quando se torna numa conspiração coletiva com o intuito de ferir alguém com "piadolas". Hoje em dia ainda existem temas muito sensíveis com os quais não se pode brincar, no entanto penso que temas como a religião, a política e o futebol estão a deixar de ser tão sensíveis entre a população portuguesa, para dar lugar a novas problemáticas e polémicas mais atuais presentes nas anedotas de humor negro que envolvam os direitos humanos, catástrofes ou graves problemas de nações. Se acho que esse tipo de comédia deveria acabar? Claro que não! Eu próprio faço esse tipo de piadas e gozo com assuntos sérios, porque acho que não vão ser essas piadas a piorar uma determinada situação e também não serão as lamentações e a pena a salvar pessoas de uma catástrofe. Cada um deve optar por que caminho seguir.
Acho cada vez mais importante dar valor aos nossos comediantes, porque eles realmente têm um grande peso na nossa sociedade. São eles que nos ensinam a rir.
Por vezes, os pais são demasiados protetores e pensam que têm de proteger os seus filhos de determinados conteúdos. Eu penso exatamente o contrário, pois foi assim que eu cresci e nunca fui afetado. Fui habituado a conviver com todo o tipo de situações (quer seja palavras obscenas, jogos violentos ou, neste caso, comédia menos própria), pois desde pequeno que joguei na minha consola jogos violentos para maiores de 18, assistia a programas de comédia na televisão e lia revistas do É só rir conhecidas pela sua linguagem e piadas obscenas. O meu desenvolvimento nunca foi afetado, acho que cresci de uma forma muito mais saudável onde tudo me era natural e onde eu sabia distinguir o certo do errado e mesmo assim consegui manter-me mais ou menos até 12 anos sem dizer as palavras às quais estava tão habituado - não significa que atualmente ache incorreto dizer palavrões, até acho enriquecedor em certos discursos.
Concluindo: LIBERTEM-SE! A vocês e aos vossos filhos! Deixem-se levar e não pensem muito no significado por detrás das piadas que ouvem. Não pensem muito se se deve ou não fazer certa anedota. Façam e pronto!
A comédia tem um grande poder no entretenimento das pessoas. Afinal, é este o seu propósito: entreter de uma forma positiva. No entanto, devido ao tipo de comédia, ao comediante, ao público, etc... nem sempre é seguro fazer comédia, deixando de ser um entretenimento positivo para se transformar num perigo iminente, uma bomba relógio prestes a rebentar na sociedade atual. Não posso fazer juízos de valor sobre a situação atual da nossa sociedade relativamente ao passado, pois não vivi noutros tempos. Não sei se a sociedade do séc. XX aceitava de bom grado qualquer tipo de piada. Mas sei uma coisa: sei que a nossa sociedade se está a tornar cada vez mais intolerante a certos tipos de comédia, o que dificulta bastante a evolução do entretenimento. Custa-me dizer isto, mas é verdade: Portugal nunca soube aproveitar os seus talentos, nunca demos valor a quem merecia. "Este aqui não percebe nada disto! Há cada modernice agora!", mas quando esses talentos desaparecem sentimos falta, "Agora na televisão é só americanices!".
César Mourão: humorista e apresentador do programa "Terra Nossa" (SIC)
Pessoalmente, acho que não há limites para a comédia. Acho que devemos aprender a rir de tudo, desde que não seja feito nenhum ataque a ninguém em concreto, pois esse é um dos perigos da "comédia": quando deixa de ser comédia, transformando-se apenas num ataque a alguém que nenhum significado tem para o público que assiste ou quando se torna numa conspiração coletiva com o intuito de ferir alguém com "piadolas". Hoje em dia ainda existem temas muito sensíveis com os quais não se pode brincar, no entanto penso que temas como a religião, a política e o futebol estão a deixar de ser tão sensíveis entre a população portuguesa, para dar lugar a novas problemáticas e polémicas mais atuais presentes nas anedotas de humor negro que envolvam os direitos humanos, catástrofes ou graves problemas de nações. Se acho que esse tipo de comédia deveria acabar? Claro que não! Eu próprio faço esse tipo de piadas e gozo com assuntos sérios, porque acho que não vão ser essas piadas a piorar uma determinada situação e também não serão as lamentações e a pena a salvar pessoas de uma catástrofe. Cada um deve optar por que caminho seguir.
Acho cada vez mais importante dar valor aos nossos comediantes, porque eles realmente têm um grande peso na nossa sociedade. São eles que nos ensinam a rir.
Por vezes, os pais são demasiados protetores e pensam que têm de proteger os seus filhos de determinados conteúdos. Eu penso exatamente o contrário, pois foi assim que eu cresci e nunca fui afetado. Fui habituado a conviver com todo o tipo de situações (quer seja palavras obscenas, jogos violentos ou, neste caso, comédia menos própria), pois desde pequeno que joguei na minha consola jogos violentos para maiores de 18, assistia a programas de comédia na televisão e lia revistas do É só rir conhecidas pela sua linguagem e piadas obscenas. O meu desenvolvimento nunca foi afetado, acho que cresci de uma forma muito mais saudável onde tudo me era natural e onde eu sabia distinguir o certo do errado e mesmo assim consegui manter-me mais ou menos até 12 anos sem dizer as palavras às quais estava tão habituado - não significa que atualmente ache incorreto dizer palavrões, até acho enriquecedor em certos discursos.
Concluindo: LIBERTEM-SE! A vocês e aos vossos filhos! Deixem-se levar e não pensem muito no significado por detrás das piadas que ouvem. Não pensem muito se se deve ou não fazer certa anedota. Façam e pronto!
Vídeo do passado sábado no Canal Play5 (YouTube)
O comediante NÃO QUIS RIR
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