Paulo Calhau e o Cinema
Pediste-me, João, para deixar umas palavras sobre Cinema. Perguntei-me logo: "Que Cinema?", o das almas perdidas ou sonhadoras? O das grandes produções ou o dos independentes? O dos espetadores ou o dos criadores? O das pipocas ou das grandes transformações humanas?... enfim, são muitas coisas, o Cinema (insisto em grafar com maiúscula). Posso somente falar-te do "meu Cinema". Em muito poucas palavras. Um Cinema do Ser.
Recentemente vi, no grande ecrã (onde deve ser visto), o filme Varda par Agnès de Agnès Varda e estava ali muito do "meu Cinema". As dimensões da inspiração (porquê ter que fazer), da criação (com que meios/equipa/linguagem) e da partilha (porque um filme é uma obra que só se encerra quando visto, no encontro com o outro).
Através dos filmes (dos que vimos e dos que criamos, ou ajudamos a criar) habitamos a nossa memória e transportamo-la para uma dimensão imagética ilimitada. E é das pequenas coisas que a realidade nos apresenta, da nossa cidade, bairro ou rua, nas escadas do prédio, que criamos a viagem para outras paragens. É das pessoas que nos rodeiam e dos seus pequenos gestos que podemos desenhar grandes personagens, com estruturas complexas e intrigantes - como alguém que desce uma escada, como mexe no cabelo, como ergue o olhar,... cruzando literatura, teatro, pintura, arquitetura, escultura, dança,... Acredito nesta forma genuína de criação e na unificação destas expressões/dimensões artísticas. Podia aqui trazer, com quem tanto me identifico, Keaton, Dryer, Bresson, Ozu, Antonioni, Bergman, Tarkovsky, Ford, Kiarostami, Lynch, Malick, entre outros, que criaram grandes obras, sustentadas neste olhar genuíno.
Hoje, entusiasma-me que a "máquina pesada" da indústria, dos custos de produção, possam ser minimizados com a democratização da criação cinematográfica, usando de recursos cada vez mais "domésticos" e com enorme potencial criativo, como o profético F. F. Copolla anunciou na década de 70, durante a rodagem do gigante Apocalypse Now (1979), retratado no igualmente brilhante Hearts of Darkness (1991). É desse potencial criativo que o Cinema se alimentará nas próximas décadas. Mas será que ainda se chamará Cinema?
Recentemente vi, no grande ecrã (onde deve ser visto), o filme Varda par Agnès de Agnès Varda e estava ali muito do "meu Cinema". As dimensões da inspiração (porquê ter que fazer), da criação (com que meios/equipa/linguagem) e da partilha (porque um filme é uma obra que só se encerra quando visto, no encontro com o outro).
Através dos filmes (dos que vimos e dos que criamos, ou ajudamos a criar) habitamos a nossa memória e transportamo-la para uma dimensão imagética ilimitada. E é das pequenas coisas que a realidade nos apresenta, da nossa cidade, bairro ou rua, nas escadas do prédio, que criamos a viagem para outras paragens. É das pessoas que nos rodeiam e dos seus pequenos gestos que podemos desenhar grandes personagens, com estruturas complexas e intrigantes - como alguém que desce uma escada, como mexe no cabelo, como ergue o olhar,... cruzando literatura, teatro, pintura, arquitetura, escultura, dança,... Acredito nesta forma genuína de criação e na unificação destas expressões/dimensões artísticas. Podia aqui trazer, com quem tanto me identifico, Keaton, Dryer, Bresson, Ozu, Antonioni, Bergman, Tarkovsky, Ford, Kiarostami, Lynch, Malick, entre outros, que criaram grandes obras, sustentadas neste olhar genuíno.
Hoje, entusiasma-me que a "máquina pesada" da indústria, dos custos de produção, possam ser minimizados com a democratização da criação cinematográfica, usando de recursos cada vez mais "domésticos" e com enorme potencial criativo, como o profético F. F. Copolla anunciou na década de 70, durante a rodagem do gigante Apocalypse Now (1979), retratado no igualmente brilhante Hearts of Darkness (1991). É desse potencial criativo que o Cinema se alimentará nas próximas décadas. Mas será que ainda se chamará Cinema?
Plataformas do Paulo Calhau
Plataformas do blog
Facebook, O RAPAZ DOS FILMES
Instagram, @rapazdosfilmes
Youtube, O RAPAZ DOS FILMES
Gmail, orapazdosfilmes@gmail.com
Instagram, @rapazdosfilmes
Youtube, O RAPAZ DOS FILMES
Gmail, orapazdosfilmes@gmail.com
Comentários
Enviar um comentário