Entrevista a Paulo Alexandre Santos

Paulo Alexandre Santos, jornalista e editor de rádio, partilha connosco, nesta publicação, um pouco da sua profissão e a sua perspetiva do trabalho em rádio. Antes de mais, queria agradecer mais uma vez ao Paulo por ter aceite participar nesta mini entrevista por escrito para o meu blog.

Qual é a sua profissão?
PAS: Sou jornalista/editor de rádio, atualmente no Grupo Media Capital e em particular na Rádio Comercial.

Consegue partilhar connosco uma vantagem da sua profissão? E uma desvantagem?
PAS: A principal vantagem é a aprendizagem diária. Como acompanhamos a atualidade, ouvimos os intervenientes e os diversos pontos de vista. Penso que isso acaba por nos dar uma grande "bagagem" sobre os mais variados temas. A desvantagem tem a ver com a ideia que algumas pessoas têm de que nos podem influenciar/manipular. Essas tentativas, muitas vezes dissimuladas outras nem por isso, de tentar condicionar os jornalistas... parece-me o maior desafio que enfrentamos.

Pode-nos contar um pouco da sua experiência de trabalho em rádio?
PAS: A minha experiência começou com um primeiro contacto com a rádio local da minha terra, há mais de 20 anos. Era tudo muito diferente, sobretudo ao nível dos meios, da tecnologia, da rapidez com que se fazem as coisas. Hoje, o ritmo da informação é diferente, é tudo "para ontem". Por outro lado, há muitas mais fontes e mais facilidade em chegar à informação. Na prática, hoje o trabalho de um jornalista de rádio traduz-se na recolha e tratamento de informação, que valida junto das mais variadas fontes, e adapta a cada um dos públicos, conforme a rádio a que se destina. Depois é "servir" essa informação aos ouvintes, não só On Air como através das mais variadas plataformas digitais.

Acredita que, com o surgimento de novas tecnologias que favorecem os medias sociais de massas, a rádio está a "perder terreno", ou a tendência contradiz a afirmação inicial?
PAS: "Video killed the radio star"? Claramente não. A rádio continua bem viva e assim vai continuar. Claro que há necessidade de adaptação ao novo contexto, mas penso que isso tem acontecido. As várias plataformas e meios tendem cada vez mais a complementar-se, mas cada um tem o seu espaço.

Consegue indicar uma qualidade ao nível da comunicação que fique à parte da televisão, redes sociais e jornais, e que seja exclusiva da rádio?
PAS: A intimidade que se cria entre a rádio e os ouvintes dificilmente se alcança noutros meios. Quando falas na rádio, não pensas na quantidade de pessoas que te estão a ouvir. Pensas num ouvinte, como se estivesse ali à tua frente e a quem te diriges. E do outro lado penso que isso também é entendido assim, como se fosse uma mensagem dirigida àquela pessoa em particular. Essa é uma relação que se sente desde logo nas rádios locais, onde se cria quase uma família em torno da rádio (entre ouvintes e profissionais), mas também nas rádios nacionais onde essa ligação afetiva leva as pessoas a participarem nas iniciativas e eventos, como se fossem parte deles.


Plataformas da Rádio Comercial

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